O que é?
A ruptura do ligamento cruzado posterior é menos frequente do que a do ligamento anterior. Porém, tem aumentado a incidência com os acidentes de trânsito e traumas esportivos (hiperextensão ou hiperflexão do joelho). O ligamento cruzado posterior tem como função impedir a translação posterior da tíbia em relação ao fêmur, além de impedir a rotação externa da tíbia. Muitas vezes o tratamento é cirúrgico e requer um programa de reabilitação para retomar os movimentos e função articular normal.
Protocolo de reabilitação:
- Não utilizar bucha ou esponja durante o banho por 1 semana após a cirurgia
- Geralmente pode-se retomar a dirigir após 6 a 8 semanas do pós operatório
- Dormir sem suporte no joelho após 8 semanas de pós operatório
- Uso de suporte de peso sem monitoramento médico após 8 semanas de pós operatório
FASE 1: imediatamente após a cirurgia até 4 semanas depois
- Proteger a incisão cirúrgica
- 0-1 semana: uso de joelheira que limita extensão o tempo todo
- com 1 semana de pós operatório usar joelheira que permita apenas ROM junto com um fisioterapeuta
- Técnicas para ROM passivo:
- Supinação: o fisioterapeuta deverá manter uma pressão anterior na tíbia proximal enquanto o joelho estiver flexionado (forçar a tíbia de posterior para anterior)
- Pacientes com reconstrução do ligamento posterior e anterior, manter uma posição neutra da tíbia proximal enquanto o joelho estiver flexionado
- Prevenir flexão do joelho o tempo todo
- usar suporte de peso com bengala e joelheira travada para extensão
- deixar um travesseiro embaixo da tíbia proximal, na região posterior (de trás do joelho) para prevenir o movimento da tíbia durante o descanso
- exercícios:
- mobilização patelar
- fortalecimento do quadríceps
- elevação da perna estendida
- abdução e adução do quadril
- bombeamento do pé (tornozelo)
- estiramento da panturrilha
- pressionar a panturrilha com faixa, depois, elevar a panturrilha ao estender o joelho
- extensão do quadril
- estimulação elétrica do quadríceps quando necessário (fisioterapeuta)
FASE 2: 4a a 12a semana após a cirurgia
- objetivos: conseguir total extensão do joelho, conseguir cerca de 60o de flexão no joelho, não ter sinais de inflamação e adquirir bom desenvolvimento do quadríceps
- aumentar ROM, principalmente na flexão
- normalizar a marcha
- aumentar a força do quadríceps e flexibilidade da panturrilha/jarrete
- 4-6 semanas: enquanto estiver em casa ou junto com o fisioterapeuta, o paciente poderá caminhar com a joelheira destravada
- 6-8 semanas: usar joelheira destravada para todas as atividades
- 8 semanas: descontinuar a joelheira conforme a indicação de nossa equipe
- 4-8 semanas: WBAT com bengalas
- 8a semana: descontinuar a bengala em caso de:
- extensão completa do joelho
- no quadríceps lag with LCR
- flexão do joelho entre 90 a 100 graus
- melhora da marcha
- muitas vezes é preciso manter a bengala por 12 semanas
- exercícios:
- 4-8 semanas:
- deslizamento na parede, agachamento discreto (0-45o)
- leg press com 0-60o
- ficar em pé de quatro formas: flexão de quadril, extensão, adução e abdução
- andar nas pontas dos pés dentro da água
- 8-12 semanas:
- bicicleta ergométrica: deixar o banco mais elevado que o normal e os pés fora do suporte afivelado
- aparelho de subida em degraus
- bicicleta elíptica (elliptical trainer)
- exercícios de propriocepção e balanço
- alongamento de panturrilha sentado
- leg press de 0 a 90o
- faixa ou corrente para extensão do joelho com resistência
FASE 3: 3o a 9o mês após a cirurgia
- marcha normal
- quadríceps normal
- ausência de lesão ou restrições patelofemoral
- ausência de dor no ROM
- objetivos: tentar reestabelecer qualquer pequena restrição de movimento que ainda permaneça, evitar irritação patelar e melhorar a função patelar
- exercícios:
- faixa ou corrente para extensão do joelho com resistência
- esteira
- natação
- corrida dentro da piscina com colete ou cinto
FASE 4: 9o mês após a cirurgia até retomada completa das atividades
- ausência de irritação patelofemoral ou de tecidos moles adjacentes
- 85% da força do quadríceps na perna sadia
- força e flexibilidade na musculatura e articulações, respectivamente
- ausência de dor
- exame clínico satisfatório
- continuar com exercício de faixa ou corrente no joelho
- cross country ski machine
- exercícios pilométricos (saltos)
- corrida
- slide board (no pilates, por exemplo)